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Investigadores estudam aplicação de cânhamo na produção de roupa
 
Uma equipa de investigadores portugueses conseguiu extrair e separar com êxito as fibras do caule do cânhamo, aplicando-lhe as propriedades necessárias à confecção de vestuário técnico apenas com estas fibras naturais, divulgou ontem Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Iniciado há um ano, o projecto partiu de um desafio lançado pela indústria têxtil europeia e congrega 10 investigadores de seis centros tecnológicos de Portugal, Espanha e França.

O objectivo do projecto FIBNATEX – Produção e Valorização Técnica de Fibras Naturais para a Indústria Têxtil do Sudoeste Europeu – é a criação de tecidos cem por cento de fibras naturais do cânhamo para serem colocados à disposição da indústria do vestuário, especialmente o de âmbito técnico.

Liderado pelo CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário, de Vila Nova de Famalicão, o projecto está dividido em três áreas: fabrico, produção e fiação da fibra (equipa francesa), fiação do fio (CITEVE) e modificação da superfície das fibras para que adquiram as propriedades ideais para vestuário.

A modificação das fibras é coordenada por Ana Manaia, investigadora do Instituto Pedro Nunes (IPN) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

As fibras de cânhamo são «mais ecológicas e baratas que outras fibras naturais, como o algodão ou linho, e possuem propriedades de resistência muito superior (cinco vezes superior ao algodão)», disse a investigadora à agência Lusa. «Ultrapassada a grande dificuldade da extracção e separação das fibras do caule da planta do cânhamo, conseguimos, com processos amigos do ambiente, transformar com sucesso essas fibras, retirando-lhe o mau odor característico da planta, modificando a cor, aumentando a resistência à temperatura e introduzindo propriedades anti-bacterianas», explicou.

Os investigadores preparam-se agora para iniciar a fase de produção do fio, que esperam concretizar até ao final do ano e crêem que no início de 2011 seja possível arrancar com a produção dos tecidos. «É necessário optimizar o processo, realizar novos testes e estudos para se conseguir produzir um tecido que obedeça a todas as características estabelecidas pela indústria» europeia, de forma a enfrentar a «feroz concorrência dos países asiáticos, nomeadamente da China», acrescenta Ana Manaia.

O cânhamo (cannabis) utilizado na investigação é proveniente do sul de França e o projecto deverá estar concluído no próximo ano, com a apresentação de uma colecção de vestuário técnico (uniformes para médicos, bombeiros e astronautas) e com a transferência tecnológica para a indústria do vestuário, refere uma nota ontem divulgada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia.

Envolvidos no projecto estão também o “LEITAT – Technological Center” e o “ASINTEC - Centro Tecnológico de Confección”, por Espanha, o “GIH - Groupement des Industries de l’Habillement” e o “ICAM - Institut Catholique d’Arts et Métiers Ecole d’Ingénieurs Département Matériaux”, por França.

Fonte: Diário de Coimbra
Edição: 04 de Maio de 2010
 
Inserido em 04-05-2010
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