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Investigadores portugueses descobrem gene supressor de cancro
 
Desenvolvimento de moléculas perdidas poderá resultar em novas ferramentas terapêuticas

Uma equipa de investigadores portugueses ? do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra ?, com a colaboração de parceiros de Santiago de Compostela e outras instituições, descobriram ?um gene supressor do cancro".

O estudo liderado por Paula Soares, do IPATIMUP, que contou ainda com o seu colega Hugo Prazeres e os investigadores do IPO-Coimbra, Fernando Rodrigues e Teresa Martins, foi recentemente publicado no jornal «Oncogene».
O LRP1B ?é um gene que está normalmente presente nas células e cuja expressão pode desaparecer?, ou seja, ?quando está presente retém o crescimento do tumor e quando ausente permite o seu desenvolvimento", segundo explicou Paula Soares ao «Ciência Hoje».

Este receptor de lipoproteínas, pertencente à classe dos LDL, existente na membrana celular, tem a função de transportar, por exemplo, o colesterol. O gene LRP1B já ?está detectado em determinados tipos de tumores?, prosseguiu a cientista do grupo de Biologia do Cancro. Os resultados publicados sugerem que a perda de LRP1B está relacionada com o aparecimento de cancro.

O modelo estudado, por esta equipa de investigação, foi o carcinoma da tiróide. ?Tentamos perceber de que forma é que a perda de expressão deste gene contribui para o crescimento tumoral?, sustentou ainda Paula Soares. O LRP1B não age directamente no tumor, mas em moléculas importantes em diferentes tipos de cancro - o que torna a investigação mais aliciante, tendo em conta que poderá ser aplicada em outros tumores.

Novas terapias

Uma comparação entre tecidos de tiróides normais e cancerosos mostrou que quanto menos LRP1B existisse no tecido tumoral da tiróide, mais agressivo parecia ser. Numa segunda fase, quando os cientistas introduziram o LRP1B nas células cancerígenas, observaram que as células positivas perderam a capacidade de se dividirem e invadirem novos tecidos.

À esta nova descoberta irão seguir-se várias novas possibilidades. Segundo a principal autora do estudo, ?por um lado, vamos iniciar um programa financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), para saber em que ambiente é que este gene altera as células tumorais e qual o micro-ambiente onde se desenvolve; por outro, perceber em que outros tipos de tumor há esta expressão? e, se existir, se de facto também há a perda desta.

A ambição, por agora ? e após perceber em que tipo de carcinoma existe a expressão deste gene ?, é tentar modificar o comportamento tumoral. ?Sabemos que existe a possibilidade de sintetizar a molécula de forma a esta imitar a acção normal do gene. O objectivo é reconstruir a acção que se perdeu?, concluiu a investigadora do IPATIMUP. O desenvolvimento destas moléculas poderá, num futuro próximo, resultar em novas ferramentas terapêuticas.

Fonte: Ciência Hoje, edição de 23 de Março de 2011
 
Inserido em 23-03-2011
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