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Erupções vulcânicas trazem vida ao fundo do mar
 
Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) documentaram, pela primeira vez, o aparecimento de vida a partir dos efeitos de um vulcão submarino num estudo que mereceu o destaque da NASA ao constar na lista dos trabalhos "mais interessantes do ano na área da detecção remota".

Liderada por Vasco Mantas, investigador do Laboratório de Detecção Remota e Sistemas de Informação Geográfica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, esta investigação analisou imagens de satélite de uma região do Oceano Pacífico em que se verificou, após a erupção de um vulcão submarino, a produção de um "bloom" do aparecimento de microalgas naquela zona.
As imagens analisadas eram referentes a uma faixa sudoeste do Pacífico, junto a Tonga, e foram recolhidas pelo sistema de visualização e análise de dados da NASA, designado por "Giovanni". A observação de Vasco Mantas, que se focou em gases e compostos químicos libertados durante a erupção, prolongou-se durante cinco meses, tendo sido estudadas outras erupções submarinas neste oceano.

A área do Pacífico analisada sofre, de acordo com o investigador português, um défice de determinados nutrientes, o que "impõe limites à vida". Contudo, foi possível verificar que existiu uma coincidência espacial e temporal entre uma mancha de água descolorada com cem quilómetros, provocada pelo vulcão, e uma grande concentração de microalgas.

De acordo com o biólogo, há teorias segundo as quais a cinza vulcânica pode originar o tipo de fenómeno agora observado por si. "Os magmas libertados no mar pela erupção contêm precisamente o tipo de componentes que poderiam provocar o surgimento daqueles sinais de vida", disse. No entanto, esta é "a primeira vez" que se documenta o aparecimento de vida a partir dos efeitos da actividade de um vulcão submarino.

Ponto de partida

Vasco Mantas acredita que este trabalho pode ser visto como um ponto de partida para descobertas noutras áreas: "O surgimento de microalgas em zonas do oceano onde não seria suposto existirem tem consequências, por exemplo, na cadeia alimentar, fazendo aumentar a "carga" de peixe, e na diminuição da quantidade de dióxido de carbono que é lançado para a atmosfera".

Para Alcides Pereira, director do Departamento de Ciências da Terra, instituição onde decorreram os trabalhos de investigação, a abertura de novos campos de investigação é a razão principal para justificar a distinção da NASA. Além disso, o cientista destacou que "é muito relevante que um país periférico, como Portugal, podendo ter acesso a dados de alta tecnologia, consiga produzir resultados desta dimensão, fazendo uso apenas do seu "know-how".

O líder do estudo reforçou ainda que uma das vantagens deste trabalho reside no desenvolvimento de várias técnicas, nomeadamente de processamento de imagem e de análise de dados, que podem ser aplicadas em Portugal.

A investigação levanta também "algumas questões sobre a possibilidade deste tipo de acontecimentos ter tido um impacto ao longo da história da vida em situações em que a actividade vulcânica foi mais intensa", adiantou.

Fonte: Ciência Hoje, 30-05-2011
 
Inserido em 31-05-2011
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