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A vitória dos portugueses que «consertam» corações partidos
 
Uma equipa de investigadores portugueses recebeu o prémio "Mending Broken Hearts", da British Heart Foundation (BHF), pela melhor imagem de investigação em regeneração cardiovascular.

Ao desafio concorreram 2400 investigadores que enviaram os seus melhores trabalhos em fotografia. Mas a distinção foi atribuída a Renata Gomes, Ana Lima e Ricardo Neves, do laboratório de Biomateriais e Células Estaminais do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e do Biocant, com uma imagem que mostra duas células pluripotentes induzidas (iPS) geradas a partir de células do sangue do cordão umbilical.
"A fotografia pela qual fomos premiados e proveniente do nosso projecto de "Stem Cell Tracking" consistiu no desenvolvimento de nanomateriais, nomeadamente nanopartículas, usadas para marcar células pluripotentes induzidas (iPS) geradas a partir de células do sangue do cordão umbilical", explica Renata Gomes ao Ciência Hoje.

"Na imagem vêem-se duas destas células, onde o vermelho demonstra que realmente são iPS e o verde as nossas nanopartículas", descreve.

Segundo a investigadora, a imagem permite "monitorizar não evasivamente células estaminais que correntemente estão a ser transplantadas para tratamento de enfarte do miocárdio".

A investigação tem um carácter importante no contexto da sociedade actual uma vez que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo ocidental. Em alguns casos, estas doenças podem ser tratadas por transplante do coração ou recorrendo a células estaminais endógenas. Contudo, essas estratégias apresentam várias limitações pela escassez de órgãos para transplante. Daí a aposta no uso de terapias celulares para combater estas condições, "uma alternativa mais viável", diz Renata Gomes.

A investigação foi desenvolvida nos laboratórios do Professor Lino Ferreira, em Portugal, "numa equipa altamente interdisciplinar que envolveu trabalho de várias pessoas com formação em bioquímica, biologia molecular e celular e até mesmo formação médica", afirma Renata Gomes.

A ideia surgiu "durante trabalhos de investigação de Lino Ferreira no seu tempo como investigador no MIT, Boston. No entanto, ele só decidiu dar continuidade à sua ideia original depois de formar uma equipa em Portugal".

Distinção exclusiva

O prémio "Mending Broken Hearts" "é algo muitíssimo positivo e exclusivo, pois entre mais de 2400 candidatos fomos os felizardos", revela Renata Gomes. Com a distinção, "não só nos tornamos a cara da campanha e da Fundação Britânica do Coração, um dos maiores financiadores de investigação cardiovascular, como também nos tornamos mais visíveis mundialmente", explica.

Para a cientista, o galardão reconhece a "perícia e excelência da equipa em modalidades de imagem" e também "fornece a publicidade e divulgação extra" que os investigadores necessitavam para se tornarem "mais visíveis e atractivos".

Os próximos passos da investigação estão a decorrer actualmente. Renata Gomes está a "fazer testes in vivo na Universidade de Oxford, aplicando as novas tecnologias" que a equipa desenvolveu. "Visionamos, em breve, poder patentear a nossa ideia e dar continuidade a este projecto com várias novas versões e aplicações", afirma.

Fonte: Ciência Hoje, edição de 08-07-2011
 
Inserido em 08-07-2011
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