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Sandro Alves recebe Prémio Pulido Valente Ciência 2011
 
Sandro Alves, da Faculdade de Farmácia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra, recebeu hoje, em Lisboa, o Prémio Pulido Valente Ciência 2011 no valor de dez mil euros.

“Este prémio significa bastante para mim. É um prémio especial porque é dado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Fundação Professor Francisco Pulido Valente (FPFPV) e motiva-me cada vez mais a prosseguir com a minha carreira científica e académica”, diz o jovem investigador ao Ciência Hoje (CH).
O trabalho que deu a distinção a Sandro Alves incide sobre a doença de Machado-Joseph, doença do grupo das ataxias espinocerebelosas, caracterizadas pela descoordenação motora, em especial dos movimentos musculares voluntários e da fala. A doença foi identificada pela primeira vez na década de 1970 em famílias açorianas e em luso-descendentes nos EUA e diagnosticada pelo médico Corino de Andrade. Hoje encontra-se identificada em casos pelo mundo todo, manifestando-se tardiamente, pelos 40 anos, na maioria dos casos.

A investigação, publicada na revista Human Molecular Genetics, provou que o silenciamento não específico da expressão da proteína ataxina-3 (normal e mutada) codificada pelo gene MJD1, envolvido na doença, reduziu de forma drástica a neuropatologia num modelo animal da doença (rato). As conclusões do estudo sugerem assim que esta estratégia terapêutica que envolve silenciamento não específico poderá ser segura e eficaz.

“Do sonho nasce a realidade” por isso “gostaria de até ao final da minha vida participar num ensaio clínico” para melhorar a qualidade de vida das pessoas com a doença de Machado-Joseph, revela Sandro Alves.

Segundo o cientista, o trabalho está agora a ser continuado no CNC onde “já foi utilizado um modelo transgénico da doença no qual a equipa do Luís Almeida conseguiu, até ao momento, demonstrar que a acumulação da ataxina-3 mutante nesse modelo transgénico da doença de Machado-Joseph estaria associada à preservação de marcadores neuronais e melhorias na performance motora desses mesmo animais”.

Os próximos passos passam por “continuar a validar em modelos transgénicos da doença, talvez utilizar outro tipo de vectores que permitam uma difusão ainda mais vasta a nível da região cerebral do rato de modo a poder silenciar de forma mais específica a ataxina-3 mutante e quiçá um dia fazer o estudo em organismos superiores”, acrescenta.

Investigar no País

O Prémio Pulido Valente Ciência, criado conjuntamente pela Fundação FCT e pela FPFPV, “começou numa altura em que já havia alguma gente a fazer ciência em Portugal mas muita gente continuava a ir para fora fazer as teses de doutoramento. Então pensámos que era importante fazer um prémio para estimular as pessoas a ficar no país a investigar”, conta João Monjardino ao CH.

O objectivo é “distinguir jovens investigadores, com idade inferior a 35 anos, que façam um trabalho num laboratório em Portugal e que já o tenham publicado”, continua o presidente da FPFPV.

O concurso da edição 2011, com o tema «Doenças genéticas – Novas abordagens para diagnóstico, mecanismo e tratamento» esteve aberto entre 1 de Junho e 30 de Setembro de 2011, tendo sido recebidas 18 candidaturas, cuja avaliação foi conduzida pelo Júri constituído por Miguel Seabra (Presidente), Margarida Amaral, Maria João Saraiva, João Lobo Antunes e João Monjardino.

Fonte: Ciência Hoje, 7 de Março de 2012
 
Inserido em 07-03-2012
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