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Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem vacina oral para a hepatite B
 
 Investigadores do Centro de Neurociências e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram uma vacina oral para a Hepatite B, doença responsável, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), pela morte de 600 mil pessoas por ano em todo o mundo.
Em conversa com o «Ciência Hoje», Olga Borges, uma das investigadoras envolvidas no projecto, explica as vantagens desta vacina em relação à injectável que já existe no mercado.
“Administração oral é uma via não traumática. A Organização Mundial de Saúde tem uma grande preocupação a respeito das vacinas injectáveis, pois existe uma quantidade de financiamento dirigida a tratar complicações devido ao seu mau uso, nomeadamente infecções”.
Outra vantagem reside no facto de a administração oral ter uma “maior aceitação por parte das crianças”, o que é uma mais-valia visto que normalmente os planos de vacinação incidem sobre este grupo. Facilita, também, o processo da vacinação em massa.
A vacina vai de encontro a uma das questões que a comunidade científica tem vindo a levantar. Apesar de não haver certeza absoluta, tudo indica que há uma maior estabilidade nas fórmulas farmacêuticas sólidas. “Teoricamente será mais estável. As injectáveis são fórmulas farmacêuticas líquidas, em que os princípios activos têm uma estabilidade baixa”.
A logística associada à distribuição de vacinas em países em vias de desenvolvimento é outras das preocupação que a vacina oral pode resolver. “Para conservamos as vacinas líquidas, precisamos de cadeias de frio. Associado a isso existe uma grande logística e esse facto pesa imenso, pois esses países podem não ter a logística necessária”.
Mais de 2 milhões e 800 mil doses das vacinas foram já perdidas devido a falhas na manutenção das cadeias de frio. Isto representa alguns milhões de euros perdidos. Por isso, explica a investigadora, “a OMS tem incentivado a comunidade científica a criar vacinas por via oral e mais estáveis”.
Maior eficácia e protecção adicional
A vacina injectável contra a hepatite B, que já está no mercado há vários anos, tem provado ser eficaz, mas “o tipo de resposta imunológica que induz é, sobretudo, baseado na produção de anticorpos na corrente sanguínea. A capacidade das vacinas injectáveis induzirem a formação de anticorpos específicos nas mucosas é muito baixa”, diz.
Para de conseguir fazer isso, a administração dessa vacina tem de ser através de uma mucosa. “Só desenvolvendo vacinas que possam ser administradas nas mucosas, é possível produzir anticorpos a esse nível”.
Este aspecto é particularmente importante para a doenças infecto-contagiosas que entram no organismo através das mucosas. “A hepatite B não é o melhor exemplo. Nos países desenvolvidos a via principal de contágio é por contacto sexual, embora também possa ser através de seringas contaminadas, mas nesse caso não se aplica”. No caso da transmissão sexual, “se tivermos anticorpos nas mucosas ligadas ao aparelho reprodutor, será uma protecção adicional na entrada”.
A vacina tem ainda outra particularidade: dá uma resposta imunológica qualitativamente diferente da vacina injectável, e isso faz com que, teoricamente, pois ainda não foram realizados os estudos clínicos, possa ter alguma utilidade nos casos das pessoas que já têm hepatite B, ou seja, pode funcionar não só como vacina profiláctica, mas também terapêutica.
É apenas uma hipótese, pois os resultados obtidos “são apenas de testes em ratinhos”. A investigadora não faz ideia de quando se passará para os ensaios clínicos. “Nós estamos na universidade, não na indústria. Por isso é muito difícil avançar para estudos clínicos. Além das autorizações morosas, há ainda custos elevados envolvidos. E não havendo um projecto a financiar, essa parte será impossível de levar a cabo. Sem ensaios clínicos, a vacina nunca irá para o mercado”, conclui.

Fonte: Ciência Hoje, edição de 06-11-2012
 
Inserido em 07-11-2012
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